8 de nov de 2014

[COMENTÁRIO GERAL] RASEGAN vs CHIDORI - O fim do mangá Naruto e suas lições

                


R-A-S-E-N-G-A-N!
C-H-I-D-O-R-I!


Essas palavras vão repercutir por muito tempo nas mentes de milhares de pessoas espalhadas pelo Japão, Brasil e resto do mundo. Esses gritos são a expressão maior da obra de um bom autor. Masashi Kishimoto deve estar dormindo tranquilo neste últimos dias, pois finalmente findou-se a maratona semanal de rabiscos e outros detalhes que o atazanaram ao longo de 15 anos de muito frenesi por parte dos editores, produtores e fãs.

Com seu nome já marcado na história da produção de mangás o "japa" agora será eternizado por causa de um único nome: NARUTO!

A saga do garoto ninja, rebelde e solitário que sonhava em ser respeitados por seus pares, findou-se na última terça-feira (04/10/2014) nas Terras do Sol Nascente. O SUPER LEITURA, na pessoa de seu administrador, acompanha a série a quase sete anos (pouco tempo depois de sua chegada ao Brasil), e resolveu fazer um COMENTÁRIO GERAL a respeito do fim da série.



Naruto Uzumaki, personagem título da obra-prima de Kishimoto, é a idealização perfeita do gênero shonnen. Jovem, destemido, às vezes ingênuo, sonhador, batalhador, fiel e feliz. Sem contar com os pontos negativos: às vezes imaturos, tolo, mal compreendido, cheio de crises de relacionamentos etc. Um adolescente como qualquer outro, nem tão criança, muito menos tão adulto. Um ícone da puberdade. A única grande diferença era q ele ainda tinha que lhe dar com um demônio poderoso aprisionado dentro dele (é isso mesmo, a Kyubi - Kurama!).

A obra de Kishimoto lança-nos sobre o olhar da formação do jovem. A necessidade de ser visto, a forte presença da amizade, a idealização do futuro e as incertezas do caminho. Sejamos francos (pelo menos eu pretendo ser) dentre as tantas obras que o mercado japonês lança a cada ano no universo shonnen, "Naruto" foi um mangá que do início ao fim mostrou a que veio, que era ser o mais próximo desta nova identidade da juventude nipônica, e por que não, mundial? Embora tenha sido iniciado em 1999, sua temática e proposta são muito compatíveis para a condição atual da juventude no planeta.

Ou ninguém aqui (é você que está lendo, estou falando com você!) em algum momento não se sentiu ou se reconheceu no Naruto? Ou mesmo em qualquer outro personagem (o apático e popular Sasuke Uchiha; na Apaixonada Sakura Haruno; ou o exibidos  Kiba Inuzuka e Ino Yamanaka; a tímida Hinata Hyuuga; ou o convencido de seu primo, Neji Hyuuga; o preguiçoso Shikamaru Nara; ou quem sabe o glutão do Shouji Akimichi; não posso e esquecer do introspectivo Shino Aburame! Todos, e muitos outros personagens são espelhos da alma humana quando jovem: inconstantes, mas decididas, alegres, mas cheias de sofrimentos; pessimistas, contudo sonhadores; cheios de independência e ao mesmo tempo carente de amizade etc.



É por isso, que logo no início, disse que as palavras "RASEGAN" e "CHIDORI" vão repercutir por tanto tempo e por gerações. De imediato podem ser apenas o nome de batismo das técnicas secretas dos jovens ninjas amigos Naruto e Sasuke que rivalizavam pura e simplesmente porque eram iguais. Carentes, destemidos e cheios de vontade de ver o futuro. Entretanto a "esfera espiral" (Rasengan na tradução literal) e o "canto dos mil pássaros" (Chidori na tradução literal) são mais do que isso. São a verbalização dos sentimentos de seus portadores. Afinal, quando Naruto ostentava o golpe na palma da mão e usava seus clones para moldá-los era como se pudéssemos ver Kishimoto dizer: "Vejam esse é o poder da juventude, que forma o mundo - essa grande esfera azul que gira no espaço que nos torna tão insignificantes diante de muitos - e o coloca sobre a palma da mão para mostrar que pode ser alguém que tem voz, que tem vez. Basta querer.", ou quando Sasuke fazia surgir os relâmpagos ensurdecedores sobre os dedos podia-se ouvir o japonês dizer: "A juventude é assim, como milhares de pássaros a cantarolar no fim da tarde. Ansiosos pelo amanhã e temerosos pelo hoje. Num canto frenético louca por ser ouvida.". E quando esses golpes se chocam causam estardalhaço, pois prontamente são o sinal de um findar da batalha e recomeço da vida. Onde a agonia da juventude é enfim respondida.

E se você discorda disso e acha que é simplesmente puro devaneio de minha parte, digo-lhes que leia o mangá mais uma vez. Até porque, existe um personagem que sempre deixou bem claro que o que aqui escrito é verdadeiro:

"A primavera da juventude ainda tem de florescer! Não perca a esperança! Podemos não ser sempre capazes de realizar todas as coisas que desejamos... mas se nós fazemos as coisas que queremos fazer, nós nunca vamos começar... assim como meus desafios para você. Isto não é forma apenas uma demonstração de bravura e coragem."
(Might Guy)

Assim como Naruto me emocionou ao longo dos anos, espero que tenha sido parecido com vocês. Retirei lições, porque tudo tem seu propósito. Parabéns Masashi Kishimoto e equipe pelo bom trabalho. Agradeço também aos muitos colaboradores e amigos que nos ajudaram a acompanhar a obra aqui em solo tupiniquim. Mas infelizmente tudo o que é bom termina!


Dattebayo!
(Naruto Uzumaki)
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