11 de out de 2014

[LITERATURA EM XEQUE] "O Poema Sagrado de Dante" - Apenas um teaser



Oi.


A postagem de hoje estava a mais de um mês guardada a sete chaves, pois contém um segredo terrível!


Te peguei!

Não é nada disso! Não vou revelar nada terrível a você! O que quero hoje neste LITERATURA EM XEQUE é deixar minha análise sobre uma obra-prima da literatura mundial: A Divina Comédia.

Originalmente "O Poema Sagrado de Dante" a obra passou-se a chamar "A Divina Comédia" séculos depois de sua primeira edição que data o século XVI.

Você conhece o florentino Dante Alighieri? Não? Pois digo que precisa conhecer! O homem o qual me refiro é nada mais nada menos um ícone para os parâmetros literários do mundo ocidental. Dentre as grandes epópeias ocidentais como a Odisseia (Homero) e Paraíso Perdido (John Milton), por exemplo, A Divina Comédia de Dante mostra-se como o mais longo e mais mistico poema já escrito até hoje.

Pintura de Dante Alighieri


Dividido em três momentos (atos / cenários) a comédia advinda da Florença (Itália) é a personificação de crítica política, religiosa e científica em versos fortes e de teor elevado de amor e e outros sentimentos. Antes de falar sobre os três momentos permitam explicar o por quê de ser chamada de "A Divina Comédia".

Usando os conhecimentos adquiridos no Ensino Médio (2º Grau) vamos recordar as aulas de arte, literatura etc. que tratavam dos primeiros gêneros narrativos: a Tragédia e Comédia.

Representadas pelas musas Melpômene (Tragédia) e Tália (Comédia) esses gêneros narrativos oriundos do teatro foram o princípio para o que hoje conhecemos como gêneros literários. Basicamente uma Tragédia era a narrativa de final (perdoe a redundância) trágico, obscuro, sem a elevação do herói. O drama predominava. Era representada pela máscara triste. Já a Comédia seria a narrativa de final feliz onde as personagens - e principalmente o herói - terminavam sua trajetória de forma bonita, desditosa. Era representada pela máscara sorridente. É lógico que não é só isso, mas não vou dar aula de graça para seu ninguém!

Então já da para imaginar da onde vem o 'Comédia' no título da obra. Sim, a narrativa dantesca (como é comumente denominada) tem um final feliz. A trajetória do herói - que nesse caso é o próprio Dante - termina de forma boa e sem arrependimentos.

O termo 'Divina' vem do enredo principal. Nos 99 cantos divididos 33 para cada momento da obra e escritos em tercetos (métrica poética) Dante, em companhia de Virgílio (outro grande nome da Poesia e Literatura Ocidental) nos envereda em um passeio pelas três esferas que compõe a cosmovisão do universo: INFERNO - PURGATÓRIO - PARAÍSO. O plano divino.

Olha, se eu for explicar elemento por elemento a leitura vai ficar enfadonha, você vai desistir de ler o meu texto e o livro de Dante. Então vou só comentar cada uma das três partes da Divina Comédia e você depois escolhe se quer ler ou não!


1. INFERNO
Para mim é o melhor livro do poema. Acredito que este é quase um consenso mundial. Não é a toa que é o que mais se sucede a interpretações, citações e adaptações em outras mídias. Em "Inferno", Dante se vê vagando pelo Mundo Inferior. A constante referência ao catolicismo e ao paganismo greco-romano tornam a leitura cheia de referências artísticas e religiosas. A cada passo que damos junto do narrador-personagem dentro do domínio do "príncipe das trevas" mais se compreende o significado da dor. Os Sete Pecados Capitais são as bases para se entender como funciona o inferno e suas punições eternas aos pecadores.



2. PURGATÓRIO
Para quem acredita neste lugar o segundo livro é um prato cheio. Na tentativa de espiar seus erros as almas vagam sobre uma montanha íngreme e cheia de obstáculos. Mais uma vez os pecados capitais são evocados. Agora cada um representa uma expiação dos erros. Neste livro, muito mais do que o primeiro, as referências e citações políticas de Dante sobre Florença ganham destaque. Afinal de contas a obra é uma ataque-defesa contra as acusações e torpezas dos florentinos e italianos em geral.




3. PARAÍSO
É o fim da jornada de Dante, que só a iniciou por causa de uma mulher: sua amada Beatriz. Esta mulher é a personificação do belo e do sublime na obra do florentino. A Morada de Deus é visitada nível a nível seguindo os princípios das bem-aventuranças do Sermão do Monte feito por Cristo. A referência as ciências é explicita. Principalmente a Astronomia. Dante usa as descobertas sobre o Espaço e a Via Láctea para representar o lugar esperado pelos santos.




Esse é um teaser do "Poema Sagrado de Dante", que conquista leitores a gerações. Adorei a leitura, e sinto que ela me proporcionou um amadurecimento quanto ao meu conhecimento literário. Espero que você possa ter esse mesmo prazer que tive. Procure a biblioteca pública de sua cidade. Com certeza ela terá um exemplar da obra de Dante. Leia e descubra o prazer de ler um bom livro independente do contexto histórico ou religioso. Eu já estou pensando em quando vou ler uma segunda vez para falar ainda mais para você!


Até a próxima!
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