9 de ago de 2014

[LITERATURA EM XEQUE]: Série Guardiões, de Monique Lavra



Oi de novo! Quem estava esperando o LITERATURA EM XEQUE desse mês já deve estar sabendo que o destaque do mês seria um autor nacional. Então deixa eu alegrá-los mais ainda: Sim é um autor nacional, só que em dose dupla!

Monique Lavra e seu gatinho Tell

A escolhida (ao longo do texto isso se tornará um trocadilho) foi a fluminense Monique Lavra, psicóloga formada pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e, membro do grupo literário Entre Linhas e Letras, que conta também com as escritoras Bianca Carvalho, Carolina Estrella, Fernanda Belém, Helena Andrade, Lu Piras, Mallerey Cálgara, Márcia Rubim e Cris Mota, autora da Série Baroak

A partir de agora Monique entra em xeque com seus livros Guardiões e Guardiões - A Escolhida.

Guardiões - A Escolhida
Guardiões
A série de Monique Lavra tem um que de interessante por se tratar de um material com traços de um fanfiction. Isso porque a Série Guardiões é livremente inspirada na obra de maior sucesso de Bram Stocker (e da temática vampírica em geral): Drácula.

O quê? Achou que eu fosse dizer Diário de um Vampiro ou Crepúsculo? Não! Essas também são obras que foram um dia influenciadas pelo trabalho do irlandês, que é o responsável pela difusão do mito moderno do vampiro.

Voltando à Guardiões. No primeiro livro (que dá nome a série), Lavra se permite vivenciar um pouco da experiência de prossumer (quem não lembra o que é prossumer dá uma olhada aqui no COMENTÁRIO GERAL em que o SUPER LEITURA explicou esse conceito que pertence a Henri Jenkins) onde o leitor passa a narrar criativamente a partir de um contexto já existente. Exatamente isso que a fluminense faz! Sua obra se passa em um contexto atual, mas está diretamente ligada ao universo de Bram Stocker com referência a Drácula e os envolvidos na trama: as famílias Hacker, Holmwood e Seward. Além, é claro, do já tão conhecido sobrenome Van Hellsing (não estou falando do Hugh Jackman!)

Assim, depois do fim de Drácula, Monique conta o que se sucedeu às três famílias que enfrentaram o vampiro no passado a partir do ponto de vista dos seus descendentes e faz isso acrescentando uns ingredientes muito peculiares para o novo momento dos vampiros: romance e sensualidade. O mistério fica por conta dos ganchos de tensão criados pela provável existência dos vampiros, mas o que mais chama a atenção é a construção firme e sem rodeios da heroína Alice Hacker, que se mostra além das expectativas. Ah, vale lembrar que é Alice quem nos conta tudo, por isso às vezes parece que só estamos vendo um lado da história, o que em seu segundo livro Monique confirma.

Sobre o segundo livro, sub-intitulado "A Escolhida" Monique continua as aventuras de Alice. A garota, que agora caça os vampiros, descobre mais segredos do seu passado. Só que dessa vez aceitá-los ou não podem significar êxito ou falha em uma missão que somente ela pode cumprir. Monique nos convence de que Alice está realmente limitando nossa capacidade de absorver toda a verdade, e passa a dividir com mais dois personagens o diálogo em cena. O que ajuda o livro a ganhar em conteúdo. O problema de um narrador-personagem é que ele jamais será onipresente e onisciente. Dessa forma melhor é que existam outros pontos de vista sobre uma mesma ação.

Do primeiro para o segundo Monique acumulou experiência e pôs em prática. As duas leituras são ótimas, mas a segunda é bem mais atraente se levarmos em consideração as questões que citei acima. Contudo a maior prova do acúmulo de experiência da autora tupiniquim é sem dúvida a troca de editora. Guardiões foi publicado em 2009 pela Editora Novo Século, no selo Novos Talentos da Literatura Brasileira. A obra pode ser impressionante quanto à narrativa, mas o trabalho editorial da equipe Novo Século pecou em vários aspectos. Exemplos: grande quantidade de erros gramaticais (cadê os revisores?!); capitulação alterada (não existe o capítulo 2!). Mas como já disse isso não compromete a leitura e seu entendimento.  Prova disso é que a primeira edição já se encontra esgotada. Entretanto quem gosta de ler um livro mal editorado?

O segundo livro (lançado neste ano de 2014) já está com um novo selo, agora da Editora Igmo, que mostrou ser uma forte aliada dos autores nacionais, com uma revisão de texto quase 100% perfeita (ainda escapou uma ou outra coisa) e uma sangria impecável. Ótimo trabalho também da designer Adriana Brazil, que fez uma capa excelente e muito atrativa (se engana quem pensa que livro não se pode comprar pela capa. É um fator importante!)

O primeiro livro da Série Guardiões já foi reeditado e relançado pela Editora Igmo em 2013.

Finalizando LITERATURA EM XEQUE. Sobre Monique e suas obras apenas digo que me alegro em ler e analisar o material nacional. A cada dia os escritores brasileiros vão absorvendo a essência desse novo momento literário erguido no século XXI. A fluminense Monique Lavra colocou em prática uma tendência muito utilizada, mas às vezes rejeitadas pelo editores: a leitura criativa. Criar do zero não significa partir de algo inexistente. Toda narrativa pode ser sim um elemento de criação para novas estórias e histórias. Afinal o fim é uma concepção relativa. Parabenizo o trabalho das garotas do Entre Linhas e Letras, que tendo consciência disso não só escrevem, como tem a preocupação de ensinar por meio de conversas e palestras.

Além da Série Guardiões, a autora possui três contos publicados na Amazon BR: Sacrifício, Desejo Sombrio e Aurora.
           
Sacrifício            
    
Aurora
Desejo Sombrio



É isso aí e até a próxima!


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