31 de mai de 2014

[ESPECIAL] Agradecimentos e Brincadeiras

Vou fechar o mês de maio com uma brincadeira que uma pessoa muito querida indicou. É a primeira vez que o SUPER LEITURA é convidado para participar de brincadeiras entre blogs. Em nosso primeiro ano de atividades quero dizer que a cada nova postagem fico muito feliz em ver que este trabalho realmente chama a atenção da pessoas. Na nossa página alcançamos uma boa média de visualização por postagem, semanal e mensal. Na fanpage são mais de 60 likes. O ditado diz: "É de grão em grão que a galinha enche o papo". Se for assim estamos no caminho certo.
Deixo um abraço especial para minha colega de faculdade e amiga do coração Mallú Ferreira do blog "Sem Clichês, Por Favor", que recebeu meu trabalho com carinho. Hoje somos parceiros de blog e de roda de conversas sobre a nossa amada literatura. Agradeço também a Miaka Freitas do blog "Um Sofá à Lareira", que não teve receio em se unir a nós em parceria, mesmo sabendo que somos iniciante no universo da blogsfera.
Por fim, quero agradecer a pessoa mais especial de todas. Você! Você que nos acompanha a cada nova leitura e nos mostra que este trabalho é realmente importante. Não vou ficar de ladainha com linhas e linhas de falação. Vou apenas dizer...


Espero que possamos estar juntos por mais tempo! É o desejo da família SUPER LEITURA!

Saylon Sousa
Escritor, Radialista e Administrador do Blog SUPER LEITURA



Agora vamos brincar!
(Sugerido pelo super parceiro Um Sofá à Lareira)

REGRAS:
1. Mostre qual blog o indicou para a brincadeira (já fiz isso!)
2. Sugira um filme, uma comida, uma música, uma série e um livro.
3. Sugira mais duas outras coisas diferentes das anteriores.
4. Indique 10 blogs para a TAG.

Então vamos lá!

Filme: Transformes - A Vingança dos Derrotados.
Comida: cachorro-quente
Música: Amanhã (Oficina G3)
Série: Revenge
Livro: O Nome do Vento (Patrick Rothfuss)

Outra Coisa 01: Dormir. Isso sempre ajuda!
Outra Coisa 02: Animes. Não há nada melhor para relaxar!

Blogs:

Sem Clichês, Por Favor
Cult e Cute
Um Sofá à Lareira
Papo de Budega
Louca por Livros
Estação Mangá
Clube do Livro
Light Novel Project
Penha de Castro
Rádio J-Hero (não é blog, mas é legal!)


[MÊS DE ANIVERSÁRIO SUPER LEITURA]: Confira a nossa nova programação!


Começando o mês de junho com programação nova! Pois é! Chegando ao sexto mês do ano (Mês de aniversário do Blog!) e nada melhor do que oferecer uma nova roupagem aos nossos queridos leitores. O Blog já está de cara nova para a Copa do Mundo, mas tem que ter conteúdo novo também.

Primeiro quero pedir desculpas ao leitores por esse mês de maio. Acabamos repostando muitos conteúdos de outras páginas. Não é o objetivo do blog, contudo acredito que foram conteúdos bem interessantes e posso ser perdoado - dessa vez - por todos.

Segundo. Não tem. Confiram aí as novidades para 2014.



PROGRAMAÇÃO BLOG SUPER LEITURA 2014

POSTAGENS:
·         Uma (01) por semana totalizando quatro (04) mês). As postagens seguem a rotina de marcadores existentes e/ou de recém-criados. A proposta é estar sempre movimentando a página. Sobre as postagens a sequência segue a seguinte disposição:
1.       Semana Um – Comentário Geral (Uma postagem onde a temática é livre – cultura, eventos, cinema, TV e sites);
2.       Semana Dois – Literatura em Xeque (Espaço onde um, ou mais, livros são expostos e debatidos sem a necessidade de resenhar);
3.       Semana Três – Anime Zone (Uma postagem onde a temática é o universo da animações orientais)
4.       Semana Quatro – Literatura em Xeque (Espaço onde um, ou mais, livros são expostos e debatidos sem a necessidade de resenhar) 

SUPERCAST:


                O SUPERCAST é um espaço que começará a funcionar a partir de junho. Trata-se de um momento de apreciação da arte de contar histórias. O que acontece: Você que tem um texto (fábula, conto, crônica e/ou poema) e quer ter seu trabalho divulgado entra em contato com o SUPER LEITURA através do nosso e-mail: superleitura.blog@gmail.com, ou pelos contatos do adinistrador (jeffersonsaylon@hotmail.com e/ou jefferson.s.l.sousa@gmail.com). Para participar basta mandar uma cópia do seu material com um documento de autorização de uso para que possamos estar assim adaptando seu trabalho para um podcast. A cada 5 materiais recebidos estaremos preparando um podcast (que ficará disponível na página do Blog) com toda a performance do blog e, é claro, um ótimo trabalho de sonoplastia. Vale lembrar que isso é um recurso de divulgação do seu trabalho, então capricha no seu texto viu! E vou deixar a pulga atrás da orelha agora! Os autores escolhidos poderão participar de uma mega surpresa que o blog está preparando! Então: gostou? Pois manda seu texto! Se é preciso estar registrado? Não, não precisa, mas sempre vamos te aconselhar a registrar seus trabalhos. Contudo fique tranquilo o SUPER LEITURA é administrado por um autor que respeita o direitos autorais. O que propomos é um espaço de criação de networking entre autores, blogueiros e leitores. Protegeremos seu material, e se for escolhido ainda te ajudaremos a divulgá-lo mais e de forma segura! Vamos participar! O SUPERCAST está esperando você!

É isso aí! Essa são as novidades do SUPER LEITURA! Espero que estejam tão ansiosos como eu. Nos falamos ao longo do ano! Parabéns para nós!




15 de mai de 2014

Narrativas indígenas são a base de grandes obras literárias, mas nunca foram reconhecidas como literatura.

Figura representativa de Ceci e Peri, personagens da literatura indígena brasileira do romance O Guarani (1857) do dramaturgo, romancista, cronista e jornalista José de Alencar. A obra do século XIX é a peça mais simbólica para o subgênero literário que passa por esse processo de avaliação.


Entre o processo de apropriação, expropriação e marginalização dos indígenas pelos brancos, está o da cultura simbólica, suas crenças e cosmogonias, uma riqueza para a qual ainda recusa-se conferir autoria, direitos e mesmo caráter literário. A apropriação deste território simbólico indígena já rendeu muitos romances e obras-primas para os brancos, mas mesmo nesse encontro prolífero, mantêm-se as distinções: o que o branco fez é pura literatura; mas as narrativas indígenas, não. Apenas mais recentemente uma parte de estudiosos busca colocar essas cosmogonias entre os textos literários, da mesma forma como ocorre com textos bíblicos ou as epopeias gregas. E muito mais recentemente ainda os indígenas conseguiram, eles próprios, publicar seus livros e suas histórias em seus nomes, sem intermediários.
Em Literaturas da Floresta - Textos Amazônicos e Cultura Latino-Americana, recém lançado pela Editora UERJ, a pesquisadora Lúcia Sá investiga a relação entre autores brancos e as narrativas indígenas e como cada um tratou o patrimônio dos nativos americanos. Vai de Gonçalves Dias, passa por Mário de Andrade, Darcy Ribeiro, Guimarães Rosa e até Mario Vargas Llosa, o mais abusado em termos de apropriação e manipulação do território simbólico indígena. Cita ela, nesta entrevista à Caros Amigos, que mesmo registros de antropólogos e diários de viajantes quase nunca citam nomes dos indígenas que lhes transmitiram as histórias. “Toda essa literatura foi publicada no nome de alguém que visitou ou trabalhou e os índios apareciam como meros informantes e não como os autores da história”, diz Lúcia. O trabalho da pesquisadora, que atualmente é professora de cultura brasileira na Universidade de Manchester, no Reino Unido, mostra também que o discurso que os ruralistas utilizam atualmente para justificar suas investidas sobre as terras indígenas tem suas raízes há séculos e está presente nas literaturas de branco e em bancadas conservadoras na política.
Caros Amigos - Você defende a linha da etnografia que busca dar status de literatura às narrativas indígenas. É caso de preconceito?
Lúcia Sá - Acho que, em parte, é um caso de preconceito; um preconceito muitas vezes não consciente. É também um caso de falta de conhecimento, as pessoas não conhecem e também não se interessam em conhecer. E também, de certa forma, são textos que têm sido lidos por uma antropologia mais tradicional, uma antropologia que tem feito um trabalho interessante, importante, mas para quem a abordagem literária não interessa. Aliás, muitas vezes são desconfiados dessas abordagens e dizem, com certa razão, que esses textos não são só literatura, que eles têm outras dimensões, enfim. Uma coisa que eu aceito; evidentemente, eles não são só literatura, como a Bíblia não é só literatura, como outros textos antigos não eram e não são só literatura.


Escrito por: Aray Nabuco 

Fonte: Caros Amigos
Extraído do site: fndc.org.br

13 de mai de 2014

Risco de simplificar literatura é subestimar leitores



O uso de adaptações na escola serve para aproximar o texto clássico da realidade do aluno. O risco, de acordo com professores, é subestimar a capacidade do jovem de desbravar trama ou linguagem mais complexa.

João Luís Ceccantini, professor de Literatura da Universidade Estadual Paulista (Unesp), é favorável a adaptar textos antigos, como os da Idade Média ou de antes de Cristo. "Já para obras mais recentes, como as do próprio Machado de Assis, eu resisto", afirma. "Esse texto está próximo de nós, do ponto de vista literário e linguístico", afirma.

Outro argumento de Ceccantini é que a possibilidade de adaptação depende do tipo da obra. Para alguns clássicos, por exemplo, as adaptações permitem que os alunos conheçam a trama central, o que ajuda na construção do repertório. "Já no caso do Machado, as histórias são banais. A graça está em como é construída a narrativa."

O escritor de livros infantojuvenis Cláudio Fragata explica que a adaptação bem feita exige um entendimento cuidadoso da obra e do público-alvo. "Tento buscar um viés que interessa ao jovem de hoje para conduzir a narrativa", diz ele, que já adaptou obras de autores estrangeiros, como o francês Júlio Verne. "O texto original, para quem não está acostumado, é chato", diz. "A adaptação ajuda a criar a prática de leitura."

DIFICULDADES - Vera Bastazin, coordenadora do Programa de Pós-graduação em Literatura e Crítica Literária da Pontifícia Universidade Católica (PUC-SP), diz acreditar que o uso excessivo de versões revela a falta de intimidade dos professores com os clássicos. "A adaptação, muitas vezes, não é para o aluno, mas para quem dá aulas. A maioria dos professores não tem preparo e hábito de leitura", alerta.

Outro problema, segundo ela, é que há muitos projetos de governo que usam as adaptações com visão simplista. "Ao reduzir o tamanho e facilitar a obra, entende-se que todo mundo vai gostar de ler. Isso é uma ilusão." 

Fonte: Jornal do Commércio (PE)
Texto extraído do site:fndc.org.br

12 de mai de 2014

Concurso de CONTOS FANTÁSTICOS agita mês de maio em São Luís!



Para os escritores, e aspirantes a escritores, de plantão, o mês de maio traz a oportunidade para quem quer testar suas habilidades narrativas. A 2ª Edição do Concurso de Contos Fantásticos promovido pelo Grupo de Desenhistas e Roteiristas do Maranhão (DER) acontece no próximo dia 24/05 no Tenkai Fest 2014 - evento organizado pelos grupos otaku/pop/cult de São Luís.

O SUPER LEITURA traz para você que se interessou o regulamento e mais informações sobre o concurso. Confira!

REGULAMENTO:

01. Serão aceitos somente contos do gênero fantasia (fadas, vampiros, magos, mitologia etc.);
02. Os contos devem ser de 3 a 6 páginas;
03. Inscrição e submissão do conto somente no dia do evento;
04. Textos com suspeitas de plágio (total ou parcial) são eliminados automaticamente do concurso. A avaliação deste item fica por conta dos jurados e sem possibilidade de reavaliação;
05. Se o autor não puder comparecer somente um representante legal (apresentando documentos de autorização do autor) pode submeter o conto;
06. O descumprimento de algum item acima resulta em eliminação automática do concurso;


CRITÉRIOS DE AVALIAÇÃO:

a) Os contos submetidos serão avaliados por dois jurados seguindo a seguinte ordem:
Norma: avaliação do uso correto de ortografia (e novas regras ortográficas), além do vocabulário de acordo com a Academia Brasileira de Letras (ABL);
Narrativa: avaliar-se-á a capacidade do autor em chamar a atenção do leitor. Coesão e coerência textual. Uso correto do gênero narrativo solicitado, além dos elementos da narrativa (personagens). Uso de clichês e detecção de plágios.
Estrutura: métrica textual (introdução, desenvolvimento e conclusão). O uso dos recursos do texto (semântica e morfologia).


PREMIAÇÃO:

1° lugar: Livro "A Guerra dos Tronos" - George R.R. Martin (volume 01 da série As crônicas de Gelo e Fogo);
2º lugar: R$ 50,00 para uso no SpacePlay (Rio Anil Shopping);


A divulgação dos vencedores acontecerá no encerramento do Tenkai Fest 2014. O evento acontece dia 24/05 a partir das 10h00 no colégio Educar (Turu). Os ingressos podem ser adquiridos antecidpados no SpacePlay, (Rio Anil Shopping), Mega Games (Shopping da Ilha) e Magic Games (São Luís Shopping) por R$10,00 ou no dia (na portaria) por R$15,00.


Qualquer dúvida, ou mais informações, somente com a organizadora do concurso J. S. Freitas pelo e-mail: jaciara.freitas13@hotmail.com (com o assunto "Concurso de Contos Fantásticos")


[Esse post foi feito em parceria com o blog parceiro "Um Sofá à Lareira" da blogueira Miaka Freitas. Clique no banner a sua direita e confira mais sobre as prioduções deste super parceiro!]


8 de mai de 2014

VEM AÍ UMA FLIP MAIS LATINA!

Tudo começa com um novo curador, o jornalista Paulo Werneck, de 35 anos, que foi responsável pelo caderno Ilustríssima, do jornal Folha de S. Paulo, até agosto do ano passado - e agora ocupa o lugar que foi de Miguel Conde no último biênio.

A atual edição, que acontecerá entre os dias 30 de julho e 3 de agosto, começou a ser divulgada no começo de abril justamente com esse objetivo: mudar a ideia de que a feira, que se tornou uma das mais importantes da região, não dá bola aos vizinhos. Por essas e pela inegável qualidade de suas obras, o chileno Jorge Edwards, a argentina Graciela Mochkofsky, o mexicano Juan Villoro e o peruano-americano Daniel Alarcón já são nomes confirmados
Para quem acompanha os rumos da produção literária contemporânea na América Latina, o menu é absolutamente atraente. Mas quem não sabe tanto há respeito ou não se atém a geografias literárias ou utopias regionais, também há muito o que se descobrir e aproveitar.
O veterano do grupo, Jorge Edwards, de 83 anos, é um dos ícones da chamada Geração de 50 chilena, com uma vasta e sólida carreira como escritor de romances e de poesia - ainda que no Brasil tenha só um de seus mais de 20 livros publicados.
É um embaixador chileno (atualmente na França), assim como foi o amigo Pablo Neruda, e pelo livro "Persona non grata" (1973), em que relatou sua experiência como embaixador do governo de Salvador Allende em Cuba durante três meses e meio, fazendo observações pessoais e pouco favoráveis ao regime castrista, é às vezes visto como um "esquerdista de direita". Quem edita o autor - prêmio Cervantes em 1999 - aqui no país atualmente é a Cosac Naify, que lançou (em pré-venda, por enquanto) "A origem do mundo", que fala sobre a decadência e o renascimento do amor e do desejo, o fracasso dos sonhos políticos e a ficção como elemento de resistência indispensável à vida.

Já Juan Villoro é provavelmente o escritor de maior destaque no México nos dias atuais. Com mais de 30 títulos publicados, é um autor prolífico e de interesses variados, que usa suas paixões "pop" (rock, futebol, quadrinhos...) como inspiração para uma literatura de qualidade, que ele encaixa nos mais variados gêneros - inclusive no infantil. É jornalista premiado, dono de uma coluna publicada às sextas-feiras no jornal mexicano "Reforma" e colaborador assíduo de revistas de jornalismo narrativo como a colombiana El "malpensante" e a peruana "Etiqueta Negra".
Por seu romance "El testigo", recebeu o prêmio Herralde em 2004, e aqui no Brasil é editado pela Companhia das Letras, que já lançou "O livro selvagem" e, para a Flip, prepara o lançamento de "Arrecife", sobre a violência no México, vista a partir de um olhar fetichista, explorada em parques turísticos. Outro título seu, "La cancha de los deseos" ("O estádio dos desejos" é o título provisório), que tem a ver com crianças e futebol, será publicado pela Editora Terceiro Nome com tradução de Eric Nepomuceno.
Autora de não ficção, Graciela Mochkofsky é um dos grandes talentos do jornalismo argentino, intensa pesquisadora das relações entre mídia e poder em seu país. Seu livro mais famoso é "Pecado original" (2011), uma reportagem literária sobre a disputa do casal Kirchner e o jornal "Clarín", expondo interesses políticos e econômicos de ambos os lados. Ainda é autora inédita em português, mas já colaborou algumas vezes com a revista Piauí. É editora da revista online "El puercoespín".
Finalmente, o peruano Daniel Alarcón, radicado nos Estados Unidos desde os oito anos, é um autor de 37 anos que figura em várias listas de melhores escritores latino-americanos, como a da Granta em espanhol. Escreve em inglês, mas seus temas passam quase sempre pelo Peru de sua infância e também pelas ruas de sua Lima imaginada - como ele mesmo diz. É jornalista, editor associado da revista Etiqueta Negra, colaborador da revista The New Yorker e produtor executivo de uma rádio online que se especializa em crônicas de personagens latino-americanos.

No Brasil, tem publicado pela Rocco o romance "Rádio Cidade Perdida", em que lança um olhar sobre o terrorismo em uma nação indefinida e conflituosa. Durante a Flip, ele lançará seu trabalho mais recente, "À noite andamos em círculos", com, novamente, a violência política de pano de fundo, pela Alfaguara.

(Texto extraído do site:http://fndc.org.br)

P.S.: Para os desavisados, FLIP é a sigla da Feira Literária Internacional de Paraty. Um dos mais importantes eventos da literatura sediados em solo nacional. A FLIP 2014 homenageia esse ano Millôr Fernandes, dramaturgo, poeta, editor, tradutor e editor gráfico. Para saber mais sobre a FLIP, e ficar por dentro do evento (que acontece do dia 30 de junho a 03 de julho em Paraty - RJ), basta acessar o site do evento clicando aqui!

LIVRO: CONTEÚDO QUE É INDEPENDENTE DO SUPORTE! (Câmara discute definições para e-books)



Representantes do mercado editorial e membros das comissões de Cultura e de Educação da Câmara dos Deputados se dedicaram ontem a entender os novos significados adquiridos pela palavra livro nos últimos anos, especialmente com o desenvolvimento do mercado de livros digitais. Eles se reuniram em audiência pública em Brasília para discutir o PL nº 4534/2012, que atualiza esse conceito e estabelece a lista de produtos que poderiam ser equiparados ao livro - e que, assim, poderiam ter os mesmos benefícios de isenção tributária que o livro em papel tem. A inclusão do e-book nesse rol foi comemorada. A polêmica, porém, ficou por conta da inclusão dos leitores digitais nesta lista. Entre os debatedores e interessados na questão estavam Alex Szapiro, vice-presidente da Amazon no Brasil, que vende o e-reader Kindle, e Sérgio Herz, presidente da Livraria Cultura, que vende o Kobo.
Para a relatora e deputada Fátima Bezerra, que deve preparar um parecer a ser apresentado na Câmara, a desoneração do E-reader poderia ocorrer por meio da Lei 11.196/05, conhecida por Lei do Bem, que dá incentivos fiscais às pessoas jurídicas que realizarem pesquisa e desenvolvimento de inovação tecnológica. Os tablets produzidos no Brasil, entre outros equipamentos, já não precisam pagar o PIS/Cofins e tiveram redução no IPI. A ideia é que a iniciativa torne os aparelhos de leituras mais baratos e que eles ajudem a democratizar o acesso a livros no País. Bezerra levantou a questão da Lei do Bem nos últimos minutos do debate que durou cerca de seis horas.
"O momento, agora, é de entender juridicamente o que significa a Lei do Bem, que é muito ampla, e continuar pensando em ter um produto mais acessível para o consumidor", comentou Szapiro ao Estado. Se o E-reader tiver de ser produzido no Brasil, mesmo com incentivo fiscal, talvez grandes players como a Amazon, que importam seu produto, não tenham tanta facilidade em fazer aparelhos pelo preço que conseguem em outros mercados como a China. "Precisamos mesmo estudar a lei, mas não acho que a discussão agora seja sobre fabricar o produto no Brasil. O que queremos é ver como podemos tornar o leitor mais acessível para a população", reafirmou o representante da gigante americana que deve iniciar, nos próximos dias, a venda de livros impressos no País.
O debate só está começando. O projeto de lei em discussão ontem na Câmara, de autoria do senador Acir Gurgacz, altera o artigo 2.º da lei nº 10.753, de 30 de outubro de 2003, que institui a Política Nacional do Livro. Segundo o novo texto, "considera-se livro, para efeito da lei, a publicação de textos escritos em fichas ou folhas, não periódica, grampeada, colada ou costurada, em volume cartonado, encadernado ou em brochura, em capas avulsas, em qualquer forma ou acabamento, assim como a publicação desses textos convertidos em formato digital, magnético ou ótico, ou impressos no sistema Braille". Quanto a isso, houve consenso. "Livro é conteúdo independente do suporte", simplificou Fabiano Piúba, diretor de Livro, Leitura, Literatura e Bibliotecas do Ministério da Cultura.
Os E-readers entram no texto da lei ao lado de fascículos, atlas geográficos e álbuns para colorir e são assim descritos: "equipamentos cuja função exclusiva ou primordial seja a leitura de textos em formato digital ou a audição de textos em formato magnético ou ótico, estes apenas para acesso de deficientes visuais".
Para Karine Pansa, presidente da Câmara Brasileira do Livro, a discussão é importante, já que possibilitará a uniformização do conceito. Ela lembrou que cada estado trata do livro digital de maneira diferente. "Temos que atualizar o conceito do livro e não existe dúvida com relação à imunidade e remuneração. No entanto, existe preocupação com relação ao suporte. Esse momento deve ser discutido de maneira mais ampla e menos rápida. Vamos tomar decisões que vão comprometer o nosso mercado e nosso acesso ao livro de maneira definitiva", comentou.
Participaram, também, profissionais da cadeia do livro - editores, livreiros, bibliotecários, etc. - e de órgãos públicos, como José Castilho Marques Neto, secretário executivo do Plano Nacional do Livro e Leitura; Mônica Franco, diretora da Divisão de Conteúdo Digital do Ministério da Educação; e Fernando Mombelli, coordenador de Tributação da Receita Federal.

Texto extraído do site: http://fndc.org.br/